I have painted portraits from reports sent by anonymous women, most of these stories report experiences of abuse and I feel that the process of producing the work works as a curative act. There are more than 50 #RetratosRelatos, 15 of which can be found on display at the Museum of the Republic in Rio de Janeiro.
------------------------------------
Tenho pintado retratos a partir de relatos enviados por mulheres anônimas, a maioria dessas histórias relatam experiências de abuso e sinto que o processo de produção da obra funciona como um  ato curativo. São mais de 50 #RetratosRelatos sendo que 15 destes podem ser encontrados em exposição no Museu da República no Rio de Janeiro.

Uma das três salas da exposição #RetratosRelatos no Museu da República

#RetratosRelatos 001
60 x 40 cm
Acrílica, spray e carvão sobre tela. 2019.

Então, minha história não foi uma história muito positiva. Morava junto com o pai dos meus dois filhos desde antes de ser mãe. Meu filho mais velho tinha 4 aninhos e o caçula pouco menos de 2. Eu era muito nova e achava q era feliz com aquele relacionamento abusivo, onde ele não me deixava ir à praia, rasgava minhas roupas, me agredia na frente dos meus bebês. Certo dia, decidi q não queria mais aquilo p mim. Mesmo com todos falando q seria loucura sair da casa (q era dele) com dois filhos pequenos, tendo menos de 24 anos eu estava decidida em sair em busca da minha felicidade e liberdade. Fui morar com ele qdo tinha apenas 18 anos, fui mãe com 19 e troquei meus sonhos por uma família... cuidar da casa, filhos e marido. Ele nunca me respeitou e agora, olhando p trás, nunca me amou tb. Me traía, mentia, agredia, ofendia.
Bom, eu já não estava mais tendo relações sexuais com ele, pq estava com nojo do homem que havia se tornado, ou o homem q sempre foi, mas q só fui perceber ali, depois de alguns anos. Comecei a procurar um lugar p alugar e encaixotar minhas coisas p me mudar. Ele, certo dia, me jogou na cama, rasgou minhas roupas e me comeu a força. Eu gritei, bati, mordi.. e chorei, chorei muito, por ter sido invadida de forma tão escrota, violentada. Depois q ele terminou, disse “vai engravidar de novo, aí quero ver vc ir embora... gorda, solteira, mãe de três”
Ele estava certo, eu engravidei de novo, mesmo tendo tomado a pílula do dia seguinte. Não tinha apoio, ou dinheiro, ou coragem ... sai de casa grávida do terceiro filho dele. É, “filho não prende homem”, muito menos mulher.
Desde então, crio os meus três filhos sozinha. Ele sumiu por uns 8 anos, meu filho caçula veio conhecê-lo tem pouco tempo. Mesmo assim, um pai ausente. Na época, a mãe dele disse q eu era louca, que ele era  “meu marido” e que aquilo não havia sido estupro. Falei com meus pais, eles infelizmente compartilhavam do mesmo pensamento. Eu era muito nova e muito desinformada. Por um momento, me culpei pelo que havia acontecido. Certa vez, quando uma mãe de uma amiga de infância veio me perguntar pq eu tive o terceiro filho, que aquilo era loucura e eu contei p ela a minha história, ela brigou comigo, disse q era uma vergonha sair por aí contando uma história dessas...
Eu conheci um movimento de mulheres grafiteiras feministas, a Rede Nami e pela primeira vez parei p escutar de verdade a causa. Abriu minha mente de uma maneira valiosa.
Não, eu não fui a culpada e nem fiz nada de errado. Sim! Aquilo foi estupro sim!
Eu acho q o acesso à informação em prol das mulheres, é muito importante. O feminismo tem enorme valor, na luta feminina, não por diretos iguais, mas pela liberdade de sermos quem quisermos ser, sem ninguém nos invadindo, humilhando e destruindo física e psicologicamente.
Hoje eu me arrependo demais de ter escolhido pras pessoinhas q mais amo nessa vida, um pai tão babaca e egoista como o deles.
A minha vida é a maior loucura, para criar meus três filhos. Três meninos, que um dia se tornarão homens. Estou sempre conversando com eles, fico pelada em casa na frente deles sem problemas (ensino-lhes q são apenas peitos, assim como os deles), temos um diálogo aberto em casa. Os amo demais e procuro sempre criá-los de uma maneira q entendam q somos de verdade todos iguais... mulheres, homens, trans, homossexuais, etc.
Eu acredito que o feminismo já conquistou muito, só que ainda tem-se muuuuito mais para conquistar. Hoje, eu infelizmente não faço muito para ajudar, só fico “militando” às vezes em roda de conhecidos, ao conversar, compartilhando as coisas que vivi e aprendi.
Viver não é fácil, q cabeça qse sempre dá um nó. Mas eu nao sou de desistir fácil. Os tempos são difíceis, mas tudo há de cê acertar. ♥️

Panmela Castro encontra retratada.

#RetratosRelatos 002
70 x 50 cm
Acrílica, spray e carvão sobre tela. 2019.

Eu tinha 16. E me apaixonei pelo menino mais gato da escola. Olhos verdes, moreno, mais velho, Marcos.
Eu queria tanto dar uns beijos que aceitei ir pra casa dele depois da aula. No quarto de paredes azuis que lembro até hoje, a gente transou. Eu quis. Eu só não sabia que ele tinha filmado tudo. E eu não soube durante muitos anos que ele havia registrado a nossa transa. Tempos depois em um site da internet me vi ali nua dentro daquela prisão de paredes azuis. Me reconheci e não consegui ver até o final. Não acreditei. Chorei meses e orquestrei tantas vinganças. Quis matar, quis morrer. Senti pena de mim. Depois não fiz nada além de abraçar quem eu era aos meus 16 e me fortalecer por ter chegado até aqui. Ele é um merda, fim.

#RetratosRelatos 003
50 x 50 cm
Acrílica, spray e carvão sobre tela. 2019.

Sempre fui apaixonada por fotografia, mas a minha história na fotografia começou mesmo em 2015, durante um evento na Bahia de Guanabara. Nesse evento, tinham várias fotógrafos e eu pude ter o meu primeiro contato com uma câmera profissional. E a cada click era uma emoção, eu fiquei encantada com o trabalho dos fotógrafos. Naquele dia eu tinha decidido que era aquilo que que queria fazer, em 2016 eu compro a minha primeira câmera, fiz um curso básico. Desde então eu registro momentos importantes, momentos únicos. A fotografia hoje é a minha fé. É onde eu mostro beleza, onde eu posso transbordar, transcender, transformar. Onde eu posso me mostrar, mostrar o outro. Onde me sinto grande. Me reinvento. É a minha paixão!

#RetratosRelatos 006
30 x 40 cm
Acrílica, spray e carvão sobre tela. 2019.

Após as férias do meio do ano durante meu 1º ano do ensino médio, num colégio federal de elite do Rio de Janeiro, meu professor de física, surpreso com a minha presença em sala de aula me fez a seguinte pergunta: "Você por aqui????!!!!". O questionei, já que vinha há 6 meses tendo aulas 2x na semana com ele, na mesma sala, na mesma turma. A resposta que ganhei é que "todo ano tem um que desiste". Naquele momento, senti minha cor, minha raça, minha identidade sendo atrelada ao fracasso por alguém que deveria só me incentivar. Me fez um mal danado. Por que logo eu desistiria da escola? Dois anos depois, estou na melhor instituição de ensino da minha área. A pele preta quando não ocupa lugares subalternos gera espanto.

Retratada mostra seu retrato.

#RetratosRelatos 009
120 x 90 cm
Acrílica, spray e carvão sobre tela. 2019.

Após alguns meses da minha formatura em medicina a felicidade ainda era enorme. Meus pais com a sensação de missão cumprida resolveram furar a bolha de família feliz e se divorciarem. Eles já estavam separados desde que eu tinha 4 anos de idade. 
Entraram na justiça em um processo litigioso e em meio a brigas e manipulações eles me contaram que eu fui abusada na infância pelo meu pai aos 4 anos de idade, pelo irmão do meu meu padrasto aos 5 e pelo meu padrasto aos 9.  Como eu não tinha maturidade, bloqueei todas essas memórias que vieram a tona em forma de flashback quando o segredo foi revelado. 
Essa informação me fez  romper os vinculos afetivos com toda a minha família, tive sonhos violentos por todas as noites com meus agressores durante 9 meses. Esses sonhos só pararam quando minha mãe conseguiu finalmente terminar o relacionamento abusivo com meu padrasto.
Levei dois anos para destruir toda a ilusão sobre a minha família. 
Descobri que meu pai e meus tios e tias também foram abusados na infância pelo meu avô ( policial , com arma em casa que agredia minha avó). 
Esse tempo para mim foi longo e penoso. Tive vontade de morrer varias vezes , mas entendi que o que queria morrer em mim era o sofrimento e o eu ferido que acreditava que eu precisava o tempo todo agradar todo mundo para mostrar que eu não tinha culpa de nada e que eu era uma pessoa legal. 
Hoje estou em busca de me despir dessa necessidade. Sei que a saída é para dentro e para o autoconhecimento. Procuro a cada dia descobrir um prazer e uma alegria para fortalecer  minha relação com meu corpo e comigo mesma. Esse novo compromisso ( comigo) tem me mostrado que posso ter equilíbrio entre prazer e dor, amor e desamor, alegria e tristeza, raiva e euforia. 
Descobri que nada é completamente bom nem completamente ruim e pude ter mais carinho com minha família. Me especializei em medicina de família e comunidade, estudo medicina chinesa e ayurveda e honro minha história porque ela me fortalece e me constitui. Quero um dia poder dividir essa força que encontrei com outras mulheres que tanto necessitam de acolhimento e coragem para enfrentar também suas histórias. Mais uma vez agradeço. Sua coragem e firmeza diante da vida nos mostra que com sororidade podemos também nos fortalecer. 

#RetratosRelatos 012
110 x 87 cm
Acrílica, spray e carvão sobre tela. 2019.

Bom dia Pamela, segue um resumo do meu relato de parto. Ao contrario do que muitos pensam não eh fácil ter um parto natural respeitoso, quando se é mulher negra fica mais difícil ainda ...por acharem que nossos corpos toleram mais a dor, sendo negado analgesias , tratamento diferenciado (muitas das vezes pra pior), violências verbais , e a falta de acesso a informações que são pertinentes.
Relato de parto humanizado
Ola ....estou aqui para compartilhar a minha experiência com parto natural humanizado.
Tenho 30 anos e tomava anticoncepcional injetável mensal e desde os 17 anos........ estou com meu companheiro a 16 anos ....... casados estamos há 9, há dois anos decidimos engravidar. aos 28 anos mudei a minha alimentação fiz uma reeducação alimentar comecei a caminhar três vezes por semana e fazer musculação duas vezes por semana preparei meu corpo para essa nova condição......... aos 29 anos parei com o anticoncepcional pensei que iria Demorar pelo menos uns três anos para eu poder engravidar pelo tempo que eu tomava a medicação.......a surpresa veio um ano depois na semana do Natal de 2015 estava na casa da minha cunhada quando comecei a passar mal de repente, parecia que minha alma ia sair pela garganta. Rsrsrs...... eu só queria fazer o exame no dia 2 de janeiro de 2016, mas no dia 20 eu passei tão mal que minha cunhada praticamente me obrigou a fazer o exame eu sempre fiz teste de gravidez tanto de sangue quanto de farmácia pois o anticoncepcional não é 100% eficaz e esses anos todos eu tenho feito, sempre fazia dois testes de farmácia pra confirmar que nunca havia dado dois risquinhos...... Nesse dia assim que eu coloquei o bastão na urina dois risquinhos.... estava lá: grávida foi um misto de Emoções Pois realmente eu não esperava, pelo relados que havia visto (pesquisei muito antes de engravidar) dizem que a primeira gestação após o uso de anticoncepcional prolongado demoraria em média 3 anos...... o meu durou exatamente um ano. Demorou 4 meses para meu organismo voltar ao normal e a minha menstruação ficar regular. Quando cheguei em casa falei com meu marido que também não acredito e no dia seguinte comprei três teste de farmácia e dois com batidão e eu com a contagem de semanas os três ficaram rapidamente com dois risquinhos e o de semanas marcou mais de 3 semanas. no dia 22 de dezembro fui direto para fazer uma ultra transvaginal e apareceu o saco gestacional ainda não dava pra ver bebê mais estava confirmada. estava com 5 semanas de gestação daí comecei a fazer o pré-natal, fiz pela Clínica da Família sendo que a maior parte das consultas foi feita por enfermeira e paguei uma obstetra particular para o melhor acompanhamento.......... tive uma gestação tranquila parei de trabalhar, passei a maior parte do tempo em casa sem grandes esforços............. a única coisa que eu tenho para reclamar na gestação foi referente aos enjoos e vômitos que duraram até o trabalho de parto. antes de engravidar procurei muita informação referente à gestação, parto, pós-parto............... procurei grupo de apoio relatos cesárea, parto normal e humanizado. foi quando decidir pelo parto natural humanizado aí começou a procura por um local onde a minha decisão seria respeitada pois o não tinha como pagar uma equipe particular PD .......e no hospital de referência que me mandaram não sei se teria essa opção, então fui conhecer o Hospital Maria Amélia Buarque de Hollanda como nem todos ficam satisfeitos já ouvi falar bem e mal ... mas os comentários a favor prevaleceram frequentei algumas reuniões em um grupo para gestantes, mães e tentantes me ajudou muito essa troca de experiências.............. a minha data prevista para o parto (DPP) seria 23 de agosto de 2016 após a ultrassonografia morfológica caiu em 10 dias para o dia 13 mas como quem decide são nossos bebês a hora que estão prontos para nascer no dia 3 eu comecei a sentir grandes desconfortos na barriga como estivesse esticando além do normal, o meu marido fez massagem na minha barriga (Geralmente se acalmava, eu achei super normal pois o espaço estava pequeno) isso era por volta de 8:00 da noite meu marido foi dormir falei que estava bem e qualquer coisa eu o chamaria ........o desconforto continuou eu voltei para o banheiro com vontade de evacuar ( já era no corpo limpando o meu organismo para o trabalho de parto)
Passei um tempo como rainha até mais ou menos 11:00 horas da noite ........Entrei em contato com a minha Doula Ela falou pra eu tentar relaxar e dormir (já havia visto nas pesquisas e Relatos que o trabalho de parto pode durar uma semana entre os pródomos e o trabalho de parto ativo). ....... as 11:30 me deu vontade de fazer xixi e quando perceber alguma coisa no papel higiênico tipo uma gelatina incolor ou um catarrinho como muitas falam mas sem vestígios sangue perto da meia-noite já apresentou alguns riscos de sangue era o tampão mucoso que havia saído (que também não é indício de trabalhos de fato é só um sinal) ......coloquei o absorvente e tentei deitar, pois se a bolsa rompesse eu conseguiria ver .
.......Nem precisou porque o desconto era tamanho que precisei voltar pro banheiro e tentar um banho quente isso já era 00:15 ( ainda conseguiu olhar o celular.....kkkk) comecei a controlar as contrações que estavam durando em média 20 segundos no espaço de 10 a 15 minutos não era o trabalho ativo fiquei no chuveiro até duas da manhã controlando as contrações e vindo em momentos e irregulares as 2:20 meu marido acordou com os berros que eu dava........kkkk neste momento já não conseguia nem apertar o botão do celular de tamanho a dor quem controlou foi meu marido pois não queria chegar no hospital e ser transferida ficamos das 2:00 às 4:00 a cada contração eu abaixava e fazia força ...........eu pretendia esperar até às 6:00 da manhã mas não aguentei achei que iria parir em casa de tamanha dor conversando com a doula pela internet ela falou para irmos para maternidade pois era distante da minha casa uns 40 minutos Saímos de casa umas 4:20 da manhã fui tendo contrações pelo caminho e cada vez mais fortes não conseguimos controlar no carro eu só conseguia verbalizar vogais aaaaaaaa,uuuuuu Chegamos na maternidade por volta de 5:10 da manhã fui para triagem onde foi detectado 2 centímetros de dilatação fui fazer o exame cardiotoco .......inferno de exame posso dolorido.......... foram 20 minutos fazendo este exame deitado numa maca e sentindo muita, muita dor ........a cada contração eu gritava horrores na sala meu marido sempre ao meu lado me acalmando.....após esses 20 minutos foi feito o exame de toque novamente e eu havia apresentado 7 centímetros de dilatação não sabia ainda mas a minha bolsa estava rota provavelmente durante o banho no chuveiro e eu não percebi, já fui encaminhada para sala de parto que deveria ser 5:35 da manhã foi o tempo de eu subir e a minha doula chegou tive que subir na cadeira de rodas 
O que foi doloroso ao chegar na sala de parto a primeira coisa que fiz foi sair na cadeira me apoiar na maca nesse momento meu marido foi verificar se haveria água quente disponível pois disseram que no quarto andar estaria com problemas mas pra mim nem fez diferença pois não conseguir passar da maca na sala Havia três enfermeiras, meu marido e minha doula..... não houve nenhum tipo de intervenção....... .......Nem precisou porque o desconto era tamanho que precisei voltar pro banheiro e tentar um banho quente isso já era 00:15 ( ainda conseguiu olhar o celular.....kkkk) comecei a controlar as contrações que estavam durando em média 20 segundos no espaço de 10 a 15 minutos não era o trabalho ativo fiquei no chuveiro até duas da manhã controlando as contrações e vindo em momentos e irregulares as 2:20 meu marido acordou com os berros que eu dava........kkkk neste momento já não conseguia nem apertar o botão do celular de tamanho a dor quem controlou foi meu marido pois não queria chegar no hospital e ser transferida ficamos das 2:00 às 4:00 a cada contração eu abaixava e fazia força ...........eu pretendia esperar até às 6:00 da manhã mas não aguentei achei que iria parir em casa de tamanha dor conversando com a doula pela internet ela falou para irmos para maternidade pois era distante da minha casa uns 40 minutos Saímos de casa umas 4:20 da manhã fui tendo contrações pelo caminho e cada vez mais fortes não conseguimos controlar no carro eu só conseguia verbalizar vogais aaaaaaaa,uuuuuu Chegamos na maternidade por volta de 5:10 da manhã fui para triagem onde foi detectado 2 centímetros de dilatação fui fazer o exame cardiotoco .......inferno de exame posso dolorido.......... foram 20 minutos fazendo este exame deitado numa maca e sentindo muita, muita dor ........a cada contração eu gritava horrores na sala meu marido sempre ao meu lado me acalmando.....após esses 20 minutos foi feito o exame de toque novamente e eu havia apresentado 7 centímetros de dilatação não sabia ainda mas a minha bolsa estava rota provavelmente durante o banho no chuveiro e eu não percebi, já fui encaminhada para sala de parto que deveria ser 5:35 da manhã foi o tempo de eu subir e a minha doula chegou tive que subir na cadeira de rodas O que foi doloroso ao chegar na sala de parto a primeira coisa que fiz foi sair na cadeira me apoiar na maca nesse momento meu marido foi verificar se haveria água quente disponível pois disseram que no quarto andar estaria com problemas mas pra mim nem fez diferença pois não conseguir passar da maca na sala Havia três enfermeiras, meu marido e minha doula..... não houve nenhum tipo de intervenção....... 
ficou uma enfermeira na minha frente, uma atrás de mim e a outra aguardando para fazer os procedimentos....... Foi um momento único meu do meu filho e do meu marido ele ficou de um lado da marca eu do outro ficamos de mãos dadas e a cada contração Eu segurava com força mão dele agachava e fazia força na posição de cócoras sentir a cabeça do meu filho na minha lombar passando pela bacia foi neste momento que eu pensei que não iria conseguir e verbalize quando veio um coro pra eu não desistir pois já estava coroando neste momento senti a cabeça no meu bebê passando pelo canal vaginal mas sem dor pensei que iria piorar as dores mas tive mais duas contrações Ele veio para os meus braços .......A sala estava numa penumbra .........aguardaram o cordão parar de pulsar e meu marido cortou o cordão umbilical meu filho veio para os meus braços às 6:01 da manhã do dia 4 do oito de 2016 foi a loucura mais linda da minha vida.
foram exatamente 8 horas de trabalho de parto, 2 horas ativo e trinta minutos expulsivo........acho que meu bebê não percebeu que tinha nascido, tem certeza pois ele não chorou resmungou um pouquinho ......foi para o berço para poder ser avaliado pela pediatra logo após tomou a vacina da Hepatite B vestiram Ele veio para os meus braços e não saiu mais são 21 dias de paixão. aguardei a placenta sair, foi o que demorou mais 40 minutos, houve bastante sangramento mas não hemorragia e precisei ficar no soro com ocitocina mas foi após o parto ...........depois que a placenta saiu As Enfermeiras me limparam pois o chuveiro tava frio e desci para enfermaria e isso já era por volta das 9:00 da manhã às 11:30 já estava recebendo visitas meu irmão do meio e minha cunhada (outra com cunhada...rs)....foi uma experiência única .... nao pretendo passar por isso de novo mais se tivesse q fazer, faria tudo de novo ... Pois tem apenas 21 dias q pari e já estou fazendo comida ... Lavo as roupas do meu bb a mão e a nossa na máquina...no dia dos pais levei meu filho pra comemorar com o avô e o bisavô... Meu sangramento pós parto foi mínimo usava absorvente comum e durou 15 dias ... Tive laceração mínima...optei por não levar pontos e já estou quase q totalmente recuperada ...acho q ja estou no peso q estava antes de engravidar, engordei 12kg .... Pra terminar estou apaixonada....
Agora estamos nos conhecendo e aprendendo coisas novas ...tipo amamentação.... Q ninguém nos prepara pra isso .... E eh uma luta diária .....q não vou desistir .......

Vista da segunda sala expositiva.

#RetratosRelatos 014
60 x 50 cm
Acrílica, spray e carvão sobre tela. 2019.

Eu o idolatrava e por isso ele escolhia a hora e a forma que iria me encontrar, sempre escondido. Pros amigos mais íntimos, deixava no máximo subentendido. Por saber que me tinha nas mãos, pegava várias, na minha frente e me olhando. Ele sabia que me feria - a gente conversava entreolhares fixos - por isso, no dia seguinte ou até na mesma noite, marcava comigo. E eu ia. 
Eu permiti isso por 5 anos! Eu soube que ele começou a falar de mim pros amigos, imaginei que seria com carinho, e ele me apelidou de CAMÉLIA. Romantizei, de dentro do poço que caí, fingindo pra mim mesma que aquilo era um elogio, um carinho, uma ode à flor perfeita! Mas ao invés de molas, o poço tinha areia movediça: Camélia era o nome que a novela da vez dava às putas! Minha ficha só caiu quando ele começou a namorar uma mina que eu não conhecia mas sabia que era muito querida e legal: antes eram todas inimigas! Putas! Culpadas! 

Ele me chamou e eu não mais fui. "Que absurdo! Como assim não vai?". Não fui. Decidi pela razão, apesar dele derreter meu coração e minha alma apenas com o olhar. Ele começou a fazer coisas que nunca havia feito antes: 
Puxou conversas sobre planos e sobre a vida. Eu disse não. Falou de mim pros amigos e colocou-os pra me convencer que ele me amava. Eu disse não. Falou comigo na rua na frente de outras pessoas e segurou minha mão ao pedir pra conversar. Eu disse não. Foi na minha casa se declarar, me chamou pelo nome, foi atendido pelos meus pais. Eu disse não. Me parou na frente da família dele e me chamou de "Meu Amor" pq essa era a migalha, digo, cartada final. Eu disse não e eu fui encontrar com a namorada dele, a mina legal. Ela terminou com ele. Ficamos muito amigas, até hoje! Hoje, se ele nos vê, nos fuzila com os olhos. 
Abri mão das migalhas, que eu colecionava com tanto primor, muito tarde! Com isso me perdi e nunca mais quis amar ninguém, nem a mim! Minha auto-estima até hoje é trabalhada no psicológico pra que, com esforço, eu a consiga com um conta-gotas! É isso que as migalhas fazem pras Camélias. 

#RetratosRelatos 017
70 x 50 cm
Acrílica, spray e carvão sobre tela. 2019.

Tenho 55anos, um filho de 28 anos e uma filha de 20. Sempre fui a ovelha estragada da família! Tenho 2 irmãs mais novas e minha mãe sempre me hostilizou ao ponto de eu pegar uma mochila É viajar de carona da Bahia a Porto Alegre. Entrei pro Hare Krishna, porque curtia yoga, natureza e lá ninguém enchia o saco pra arrumar um namorado, eu sempre fui muito tímida! Mas percebi que entrar de cabeça em religiões é furada, rola muita hipocrisia e grana. Entrei com 17 anos e sai com 23. Fui trabalhar na sorveteria com meu pai, que sempre foi um paizão.  Conheci meu primeiro marido, muitas brigas porque ele era super ciumento, eu não podia virar o rosto no carro que ele fazia drama. Mas eu estava cansada de brigar com minha mãe e irmãs e fui morar com a família dele. Me tratavam bem, mas eu não podia me posicionar politicamente, sempre fui esquerdista e meu sogro era muito ignorante, tudo pobre de direita metido à besta. Eu trabalhava como auxiliar de escritório, meu marido de repositor no Carrefour e fim de semana a gente entregava pizza. Ah! Nasci, cresci no Capão Redondo!! Bairro mais sinistro de SP! A gente financiou um apartamento no INOCOOP de Campo Limpo e casamos no civil.  Eu queria muito ser mãe e engravidei logo. Pronto! O homem mudou, me chamava de vaca, dizia que parecia um balão, me empurrava, teve uma vez que eu estava sentada no banco do carona é ele ficou jogando o carro contra um ônibus falando que se quisesse matava eu e minha barriga. Meu filho nasceu e ele nem ligou, ia a festas, me deixava sózinha, tive que usar fraldas de pano, ele não comprava nada pro bebê. Quando o bebê ficava doente, ele fechava a porta do quarto e gritava pra não fazer barulho. Era um pai horrível! Teve algumas separações, eu acreditava, ele melhorava, mas o inferno voltava. Nesse tempo eu estava desempregada é ele também perdeu o emprego. Eu comecei a deixar meu filho com a minha mãe e ajudava ele vendendo frutas e legumes na rua. 
Ele alugou um ponto comercial e começou a montar uma pequena agropecuária. Tirei carta de motorista e a situação começou a melhorar. Óbvio que eu não queria engravidar novamente, ele era totalmente ausente como pai. Quando meu filho estava com 7 anos a gente vivia de aparência. Eu não o amava, mas se eu falasse em separação ele dizia que eu ia passar fome, etc. Eu cedia. Acabou que engravidei sem querer. Foi horrível,  eu só chorava e ele ficou feliz num dia E no outro voltou dizendo que ia embora e que eu me virasse! O fdp tinha uma amante e ela, ao saber da minha gravidez, encostou ele na parede e ele ficou com ela. Tive uma gravidez terrível, meus vizinhos me davam cesta básica e os pais dele traziam o gás e pagavam as contas. Na época se vendia telefone, eu vendi pra pagar a cesárea porque eu não queria passar aquela dor horrível 
Meu pai, que estava morando no interior de SP, me convidou pra morar com ele e minha mãe. Na época se vendia linha telefônica,  eu vendi pra pagar a cesárea porque eu não queria passar aquela dor dos inferno. Ele nem foi ver a neném. Coloquei o nome de Vitória e meu instinto maternal passou por cima de toda rejeição e me apaixonei por aquela menina. No interior, meu pai me ajudou muito,  me deixava usar o carro é pediu pra que eu voltasse a estudar. O pai dos meus filhos nunca pagou pensão. Como era comerciante, tirou tudo que estava no nome dele, fez declaração de pobreza, chegou a se vestir de mendigo numas das várias audiências. Fiz um supletivo. Entrei na faculdade, fiz pedagogia, pra pagar a faculdade consegui estágio num projeto que ficava com crianças carentes ou de risco e consegui terminar a faculdade. Meu pai foi o pai da minha filha. Cuidava, tinha um amor maior que tudo, meu filho guardou os traumas,  até hoje ele tem baixa autoestima, mas minha filha nunca sentiu falta do que não teve. Fiquei 1 anos desempregada e minha mãe com cara feia. Aproveitei pra fazer todos concursos e estudava muito. Passei em 2 concursos e comecei a lecionar numa cidade perto do meu pai. Consegui juntar um $ e comprei uma casinha,minha casa, minha vida, comecei a namorar só depois. Depois de uns 4 anos lecionando comecei com sintomas de depressão. Só chorava, ñ comia, tinha taquicardia e ficava com as mãos pingando suor frio quando entrava numa sala de aula. Passei nos psiquiatras do SUS, fluoxetina, diazepan, sertralina. 
Mas eu comecei a beber, tinha que beber o tempo todo. Brigava muito com o namorado e meus filhos crescendo e eu não conseguia lidar. Meu filho passou em direito na UEM, em Maringá e eu não tinha como ajudar muito financeiramente e ele não trabalhava ao mesmo tempo minha filha com 12 anos já transava e usava maconha. Eu não conseguia me impor, sempre fui boazinha, mas eu não sabia lidar com aquela realidade. Acabei casando com o namorado, mas bebia o tempo todo, meu segundo marido me levou num psiquiatra fudido,caro pra cacete, mas ele me deu o diagnóstico de Transtorno Bipolar Esquisoafetivo e como eu não conseguia parar de beber como uma dependente química fui internada num
hospício.  Nossa! Chamava IPT Instituto de Psiquiatria de Tupã,  era um inferno, eu vi gente esfregando cocô na cara, era tudo fedido, a noite só se ouvia gritos, fiquei 2 dias num quarto com mulheres menstruadas, mijadas e cagadas amarradas na cama. Eu chorava muito e pedia pra falar com meu marido,  mas me disseram que visita só depois de um mês. As roupas eram marcadas e tinha uns doidos que dava medo. Rodei a baiana, falei que quando saísse ia denunciar, me seguravam e aplicavam injeção, mas nem fazia efeito, mesmo grogue eu ficava gritando até eles me mudarem de pavilhão. Fiquei numa ala menos fedida, num quarto com mais 2 e era menos monstruoso. Me acalme e acho que todas injeções fizeram efeito e eu sei que dormi 3 noites e 2 dias seguidos. Não tinha tomado banho ainda, acordei, tomei banho e esperei a hora de comer. Chamaram meu marido e deixaram eu me encontrar com ele por 4 minutos! Só deu tempo de eu pular no pescoço dele e implorar pra ele me tirar dali. Ele chorou e disse pra mim ficar calma. Ele procurou a irmã rica dele e pagou pra me transferir na ala particular.  Fiquei 3 meses. Na ala particular era tudo melhor, tinha um quarto e banheiro só pra mim, enfermeira grudada, aulas de artesanato e não tinha louco de pedra, algumas figuras dependentes de drogas e uns que a família internada por serem idosos ou inválidos. Sai da clínica, mas não parei de beber, meu marido não aguentou e foi embora. Descobri que meu filho ficava fumando maconha na República tinha abandonado a faculdade. Minha filha continuou a vida louca dela é eu bebia e comecei a roubar vodka nos mercados e estava sempre de licença, com a internação os médicos conseguiram me readaptar e eu não precisava mais dar aula. 
Trabalhei na biblioteca, transava com quem queria. Fui pega roubando e rolou um processo. Comecei a ter surtos psicóticos, ouvia vozes, tinha medo de morrer,  achava que a polícia vinha me prender toda hora,tinha medo de tudo, pedia pra minha filha ñ me abandonar, ela tina que me dar banho e eu me arranjava, uma hora vi minha filha chorando dizendo que não sabia mais o que fazer comigo. Tentei suicídio,  tomei 3 cartelas de lítio, minha filha e o namorado dela me levaram no pronto Socorro e fizeram uma lavagem. A cidade é pequena, eu tinha vergonha de sair na rua, ficava andando de um lado pra outro falando sózinha. Até que não aguentei e liguei pro meu marido pedindo socorro. Ele estava no MG e pediu 3 dias pra esperar. Quando ele veio, me levou num psiquiatra, mudou meus remédios e eu pedi pra ele ficar .Ele está comigo até hoje, parei de beber, fui absolvida, nunca mais tive um surto tão forte, às vezes tenho umas recaídas, mas não deixo de tomar meus remédios e ir no médico.  Aprendi que a mente controla tudo. Cuido da minha alimentação, me tornei vegana, chorei muito quando o foi eleito, escutava aqueles rojões e nunca vou entender como esse povo pode festejar a eleição de um fascista. Briguei com muita gente por causa disso. Estou pra me mudar de cidade com meu marido, que esteve comigo nos piores momentos e não desistiu. Meus filhos moram na capital, meu filho se formou em História na USP e minha filha se juntou com um . Minha mãe diz pra mim que ñ me quer na casa dela e minhas irmãs não tenho contato. Tô num momento de mudança! Vou vender tudo ou doar e meu sonho é conseguir comprar um terreno na praia e construir uma casa de madeira,  ter uma horta, aprender surfar e conhecer gente legal. É isso!!!! Ufa!!!!!

#RetratosRelatos 019
70 x 50 cm
Acrílica, spray e carvão sobre tela. 2019.

Bom... fui soltando aos poucos a minha história pq nem eu entendia muito bem... Infelizmente quando passamos por um relacionamento abusivo carregamos todos os traumas e a dor junto, não desassocia do que somos, e carregamos sempre esse peso. Tudo começou quando estava vulnerável, na época saía com vários caras e não passava de uma noite, me sentia usada e descartável. Até que apareceu um homem quase 10 anos mais velho que eu prometendo o mundo. A primeira vez que nos beijamos ele já disse que eu ia ser namorada dele, fiquei um pouco surpresa mas achei “lindo”. Aos poucos me vi envolvida e com um mês de namoro ele fez uma viagem com um amigo e me deixou cuidando da sua casa e dos seus 4 cachorros. Achei normal. Pouco tempo depois foi aniversário do sujeito e eu fui tentar comprar um presente surpresa pra ele. Nessa época já não conseguia sair sem que ele soubesse exatamente onde eu estava. Estava na casa dele e pedi pra minha irmã mais nova me ligar e inventar qualquer história para que eu fosse comprar um presente surpresa. Na época, comprei um box limitado de um jogo de vídeo game que ele curtia. O inferno na minha vida começou a partir desse dia. O cara me ligou 827366363 vezes enquanto estava tentando comprar o presente. Me xingou, me chamou de tudo, gritou, esperneou, disse que eu tinha saído da casa dele pra encontrar outro cara. Eu não entendi muito bem. Chorei e tentei entregar no dia seguinte o presente. Ele me ignorou de todas as formas e me xingou bastante e, ele esperneava no telefone, me humilhava mesmo. Entreguei o presente na casa dele. Ele disse me perdoar, mas que eu nunca mais mentisse pra ele. Aprendi ali que não poderia fazer surpresas ao meu namorado. A partir daí foi um limbo pra baixo... Me afastei das minhas melhores amigas, ele tocava samba e bebia e eu tinha que dirigir o carro dele. Ele jogava na minha cara que ninguém poderia me querer, que só ele era capaz de me namorar, meio como um favor. Me afastei da minha família. Fui obrigada a me mudar pra casa dele, pq ele me fazia sentir que era a única pessoa em que eu podia confiar e contar. Me mudei. Brigávamos sempre.
Ele era extremamente agressivo. Terminava comigo toda a semana e eu implorava pra voltar. Antes de me mudar pra casa dele tinha que dormir com o Skype ligado, ou seja... eu não dormia. Ficava sempre tensa, esperando que algo de errado acontecesse. Tinha dias que ele falava que eu tinha saído e deixado o meu notebook ligado como se estivesse no quarto, mas estava na rua com outro. Quando saía da casa dele pra voltar pra casa dos meus pais ele falava que eu ia dar pro meu vizinho. Ele me queria 24h perto dele e se eu saísse pra ir ao banheiro quando saíamos juntos, eu estava dando pra outra pessoa. Chegou ao cúmulo de me falar que eu estava me esfregando com o cunhado dele. Ele saía e ficava muito doido, até que um dia me fez mentir falando que eu que havia batido o carro dele muito louca, sendo que eu estava sóbria e ele trebado dirigindo. Eu vivia o inferno. Ele quase me fez perder um dia das mães pq disse que eu estava dando pra outro cara. Uma vez viajamos com a família dele e ele teve que pegar meu celular pra usar a lanterna pra deixar a tia dele em outro quarto. Quando voltou começou a espernear e me chamar de vadia. Disse que eu tava dando pro meu melhor amigo, só pq eu havia recebido uma mensagem dele. Foi humilhante! A família dele escutou a baixaria.Não pude ir embora com o meu carro dessa viagem pq tinha bebido. Um segundo depois ele me pediu desculpas e disse que me amava. E que eu não ficasse de papo mais com aquele meu melhor amigo. São muitas histórias. A última se resume no dia em que meus pais me salvaram desse inferno que eu vivia. Era copa do mundo. Assistimos o jogo nos meus pais e fomos encontrar os amigos dele. Na festa ele jogou varias coisas na minha cara, disse que eu não era nada do que achava que era, que era burra, que ninguém me queria, entre outras coisas que hoje bloqueei. Eu me alterei e mandei ele sair do meu carro. Ele ficou manso e voltamos pra casa dele onde eu estava morando. Fiquei no carro com medo. 
Ele era extremamente agressivo. Terminava comigo toda a semana e eu implorava pra voltar. Antes de me mudar pra casa dele tinha que dormir com o Skype ligado, ou seja... eu não dormia. Ficava sempre tensa, esperando que algo de errado acontecesse. Tinha dias que ele falava que eu tinha saído e deixado o meu notebook ligado como se estivesse no quarto, mas estava na rua com outro. Quando saía da casa dele pra voltar pra casa dos meus pais ele falava que eu ia dar pro meu vizinho. Ele me queria 24h perto dele e se eu saísse pra ir ao banheiro quando saíamos juntos, eu estava dando pra outra pessoa. Chegou ao cúmulo de me falar que eu estava me esfregando com o cunhado dele. Ele saía e ficava muito doido, até que um dia me fez mentir falando que eu que havia batido o carro dele muito louca, sendo que eu estava sóbria e ele trebado dirigindo. Eu vivia o inferno. Ele quase me fez perder um dia das mães pq disse que eu estava dando pra outro cara. Uma vez viajamos com a família dele e ele teve que pegar meu celular pra usar a lanterna pra deixar a tia dele em outro quarto. Quando voltou começou a espernear e me chamar de vadia. Disse que eu tava dando pro meu melhor amigo, só pq eu havia recebido uma mensagem dele. Foi humilhante! A família dele escutou a baixaria.Não pude ir embora com o meu carro dessa viagem pq tinha bebido. Um segundo depois ele me pediu desculpas e disse que me amava. E que eu não ficasse de papo mais com aquele meu melhor amigo. São muitas histórias. A última se resume no dia em que meus pais me salvaram desse inferno que eu vivia. Era copa do mundo. Assistimos o jogo nos meus pais e fomos encontrar os amigos dele. Na festa ele jogou varias coisas na minha cara, disse que eu não era nada do que achava que era, que era burra, que ninguém me queria, entre outras coisas que hoje bloqueei. Eu me alterei e mandei ele sair do meu carro. Ele ficou manso e voltamos pra casa dele onde eu estava morando. Fiquei no carro com medo. Não voltei pra casa dos meus pais por vergonha. Iria dormir no carro até que ele começou a esmurrar o meu carro, me mandando sair. Puxou os meus cabelos, me puxou com todas força até entrar na casa dele. Me trancou na casa dele e sumiu com a chave da casa. Ficou em cima de mim segurando os meus pulsos com muita força, berrando mil coisas na minha cara. Nisso me deu um tapa na cara. 
Foi quando eu caí em mim... consegui ligar para os meus pais... ele mudou completamente o discurso. Disse que me amava e que eu estava descontrolada, o jeito que conseguiu me acalmar foi me dando o tapa. meus pais chegaram. Meu pai já sabia que ele não era uma boa pessoa. Consegui arrumar minhas coisas correndo. Fiz uma cena de que estava tudo bem e que eu iria voltar pra ele, assim ele se tranquilizou... A primeira coisa que meu pai me perguntou foi se ele tinha me agredido. Fiquei envergonhada e falei baixo à minha mãe. Nisso, meu pai ligou pra uma amiga delegada que sugeriu que fôssemos à delegacia da mulher para ser respaldada pela Lei Maria da Penha. Ele veio até minha casa e começou a gritar na minha janela que me amava e tinha feito tudo por mim. Meu pai mandou ele embora. Saímos pra delegacia e ele nos perseguiu com o carro. Achei que sofreríamos um acidente. Foi humilhante tudo. Ainda é humilhante quando eu penso nessas feridas. Troquei de número, viajei por um bom tempo pra me afastar. Hoje entendo meu “tamanho” como mulher, mas é uma ferida que até hoje me machuca.
Acho importante colocar pra fora essa história. Por mais que me doa, por mais que me dilacere, foi terrível. Não gostaria que nenhuma mulher sentisse o que eu senti. O pior é quando outras mulheres naturalizam e falam: “foi só um tapinha”.... escutei isso de uma amiga e me doeu demais. Antes fosse só um tapinha... Nada pior do que violência psicológica e moral e, principalmente física. Eu achei que morreria nesse dia.

Retratada posa com sua obra.

#RetratosRelatos 020 A
120 x 80 cm
Acrílica, spray e carvão sobre tela. 2019

#RetratosRelatos 020 C
120 x 80 cm
Acrílica, spray e carvão sobre tela. 2019

#RetratosRelatos 029
120 x 90 cm
Acrílica, spray e carvão sobre tela. 2020.

Me pego pensativa diante de uma tela para tentar simplificar um relato breve de mais de três décadas. Toda a merda que acontece na vida de uma pessoa a torna única, especial e sagrada. Isto porque cada um é a parte de um todo, e propagar o amor foi o que objetivei na minha vida. O que mais me frustra na vida foi o fato de ter nascido mulher. Diante disto fui buscar me significar ao mundo. O fato de ser mulher não me fez ser mãe ou esposa. Ser mulher me fez ser abusada na infância e costumeiramente ao longo da minha vida. Eu não fui nada que a minha família quis que eu fosse. As cobranças me fizeram ser depressiva. Não vendo um bom casamento dos meus pais; não quis um. Acho que não quis, simplesmente a vida não me trouxe um homem que provasse ao contrário, ou eu mesma que busquei homens  como meu pai, como Fraud deixaria isto claro. Só sei que não tive um carinho e nem os aceitei. Desde pequena o instinto maternal não apareceu, dando lugar as brincadeiras mais prazerosas como subir em árvores e terra nas mãos. As bonecas até hoje não me fascinam. O que me fascina são os mistérios do mundo e natureza, me tornando exotérica desde mocinha. Um pai ignorante como o meu e de muitos não deixava um incenso entrar em casa, e num ataque de fúria acabou com todo o meu altar (como era lindo!), havia velas, pedrinhas, me conectava com o divino criador nestes símbolos que tinham um poder tão afetivo para mim. Eram os meus tesouros. Mas sabe de uma coisa? Não importa mais, hoje eu tenho uma vida só minha, com tudo que sempre quis, do meu jeitinho. 
Eu parei de procurar respostas. O abuso de um senhor no açougue da esquina quando ia comprar carne pra minha mãe; uma mãe que me incluiu nas brigas das traições do meu pai; uma vida amorosa extinta; insultos familiares pelo meu fracasso como mulher... Comecei a olhar o que eu tinha de bom para exaltar.  Estudei e fui embora de casa. Sou professora de Língua Portuguesa e Artes. Participo de projetos educacionais que têm como objetivo o desenvolvimento social e emotivo do aluno. Me sinto tão importante. Hoje eu recebo amor e elogios todos os dias. Eu repasso a eles também. Eu ajudo a construir um mundo melhor. Como missão eu peguei pra mim tudo de ruim que sofri/sofro e os transformo em amor. As crianças e jovens têm histórias são tristes de abandono, eu as faço enxergar que a vida é uma luta interna também. Que devemos nos tornar melhores, mesmo diante de toda injustiça. Não é fácil. Já perdi alunos para o tráfico, para as drogas, para o câncer, para o tanto faz como forma de desistência da vida. Mas já vi alguns voltarem. Testemunho melhoras todos os dias. Eu vejo um mundo bonito também. Eu como ser humano, não mais focando no fato de ser mulher, me realizo sendo amor para receber amor. Não como cobrança, mas como retorno da minha existência. Que bom que posso finalizar um relato de forma otimista. Cada um carrega dentro de si coisas que nem são mencionadas. Me atrevo a relatar algumas sozinha em casa em uma tarde de domingo. Não tão sozinha...2 gatos lindos! Ferdinando e Denise, a presença de seres celestiais e bons espíritos terrestres. Eu não preciso provar mais nada, como nos fazem querer provar. Eu perdoei tudo. Aceitei e até o final da minha vida não serei só eu, serei eu, você, ele, ela; Nós.
Gratidão pro este momento Panmela Castro.

#RetratosRelatos 030
110 x 90 cm
Acrílica, spray e carvão sobre tela. 2019.

Eu sou  uma mana preta, uma mulher intelectual de origem pobre, colonizada e auto-descolonizada à todo instante. Passei pelo abuso sexual infantil, comum nos anos 90 no lugar onde cresci, e acho o que passei era uma coisa que as pessoas se esforçavam muito pra não ver, pois era muito óbvio que muitas crianças estavam sofrendo por isso. Mas, quem defende as crianças dos adultos? No meu lar também a agressão ao corpo da minha mãe foi como se tivesse sido no meu, e a casa quebrada, material e simbolicamente, fez toda essa ilusão de família nuclear se diluir nas minhas experiências.  
Nada disso me empedrou, eu segui fluindo. Hoje, sou doutoranda na Fiocruz, sou cientista social de formação, e conquistei minha independência através do meu intelecto, da força do meu trabalho, da minha fé em Oyá, e da força de minha mãe e das mulheres da minha família. Uma família grande e preta, cheia de sementes plantadas nesse solo, que é farto também de nossas raízes.

#RetratosRelatos 032
60,0 x 50,0 cm
Acrílica, spray e carvão sobre tela. 2019.

Eu, tinha 14 anos quando conheci meu futuro esposo e ao completar 18 anos praticamente me casaram. Sim, porquê o destino certo  de uma moça era o casamento na igreja de véu e grinalda. Então tudo se cumpriu e logo , logo o desenho do fracasso se mostrava c a chegada cada vez mais frequente de meu esposo bêbedo e em altas horas da madrugada. Diante a esse quadro tenebroso tentava entender mais sem sucesso. E os constantes pensar tão logo  deu lugar a espera de nosso primeiro filho. e sem muita orientação vieram mais dois e já eram três. Com isso a conduta de meu esposo só piorava em relação a minha pessoa, pois passou a cometer violências verbais e tão logo ao saber que não queria mais continuar a viver com aquela situação passou a violência física. Sem apoio, atenção de meus familiares, pois eram ameaçados c uma pistola, somente meus vizinhos me socorriam ligando para a delegacia.  A viatura chegava e ele se identificava como um policial e íamos para a delegacia. Uma constante idas e vindas e o mais dolorido, não era o rosto marcado, e sim as mesmas perguntas do delegado: o senhor pegou ela com outro homem, ela fica em casa lavando e cozinhando, cuida de seus filhos direitinho...??? Se posso chamar assim, sentia um alívio e conforto quando ele respondia a verdade,- q me batia porquê eu não queria mais viver com ele. A seguir, prometia parar c as agressões e  eramos liberados. Passavam um tempinho e logo recomeçava as violências físicas porque as verbais eram constatantes. Os anos avançaram e o mesmo foi adoecendo e indo a óbito. 
E dessa forma me vi em uma situação que precisei de auxilio de um psicólogo, pois como não tinha acesso a  coisas simples como ir ao banco, ao supermercado, as lojas entre outras não sabia como me movimentar. Foi tão horrível q ainda tenho essa sensação, parecia que eu  estava em outro mundo. Nos primeiros dias, meses e ano foi como estar perdida e me perdia sim nos lugares, supermercados, bancos onde o dinheiro parecia q nem sabia que existia e não sabia como lidar c ele. Apos dois anos fui orientada a fazer coisas que gostava e assim entrei em uma universidade, fiz quatros graduações e aos poucos fui descobrindo o mundo , a vida e me vendo como ser humano, mulher inserida nesses universos.

#RetratosRelatos 033
50,0 x 50,0 cm
Acrílica, spray e carvão sobre tela. 2019.

Match no aplicativo. Eu viva um relacionamento aberto e podia ficar com quem quisesse, eis que dei match com um boy padrão, branco, classe média alta, estudante de direito na maior universidade particular de Fortaleza. 
Por 8 meses nos relacionamos, sem jamais ele me ter como namorada. No meio desse tempo terminei a outra relação em que estava, por outros motivos. Viajavamos, saíamos, mas ele sempre numa postura distante, nunca me tratou com afeto em locais públicos. No entanto me chamava pra ir pra casa dele. E por horas eu ficava lá em silêncio, por vezes estudando artes (sou artista), enquanto ele estudava pra algum concurso ou preparava sua comida fitness, o ponto era que esse silêncio não era acordado, ele não gostava de conversar, não demonstrava sentir nada... mas pra não dormir sozinho me pegava em casa com frequência só pra ter com quem fuder. 

Terminei... Por uma semana sofri e acabou aquela paixão, me vi numa imensa decepção. Comigo por ter passado por isso e com ele por ter sido tão absurdo em manter alguém por tanto tempo assim, só alimentando esperança. 

Um mês depois ele assumiu um namoro... com uma branca. 
Nude #1
90 x 120 cm
Acrílica, spray e carvão sobre tela. 2019.
Morando em uma cidadezinha há 3 horas de distância do centro, com 20 anos de idade encontrei na prostituição uma solução para conseguir pagar os custos de frequentar às aulas na UFRJ. Eu que recém tinha sofrido um estupro, não durei nem dois dias no emprego já que sentia muita dor durante o ato. Então, a necessidade me fez ter a ideia de ir  trabalhar em frente ao metrô do Largo da Carioca fazendo caricatura das pessoas por 1 Real. Teve dia de eu conseguir fazer até 50 desenhos. Logo esse trabalho foi bom pra mim e eu consegui dividir com o namorado um kitnet no miolo da favela de Maguinhos que na época tinha na Leopoldo Bulhões o apelido de Faixa de Gaza, de tantos eram os conflitos com a polícia. Todo dia morria um e a parede do meu beco era cravada de balas. Eu queria que alguém tivesse me mandado esse relato, mas esse é meu mesmo, para que todos saibam de onde vem minha falta de adaptação no mundo. Minha mãe até hoje ainda fantasia que me criou como uma princesa e quem me olha agora tão bem tratada, vestida e alimentada, não sabe que a noite grito e acordo em pânico de não sei o quê. Agora que todos sabem, aquele homem que me persegue na internet não tem mais segredos para me ameaçar. 
Back to Top